segunda-feira, 28 de outubro de 2013

:: Vai com Deus, Lulinha!!!

19810000 - CSC bi cearense

    Luiz Francisco do Rêgo, 64 anos, o Lulinha, foi meu ídolo atuando com a camisa alvinegra nr 1. Muitas vezes saimos dos estádios elegendo-o o melhor da partida, como o responsável direto pelo resultado positivo.

    A sua filha, Kezya Diniz, jornalista na capital cearense, prestou uma bela homenagem ao pai. Nós, da Embaixada do Vozão em Brasília, sensibilizados com a perda deste valoroso atleta, apresentamos os nossos sentimentos de pesar e rogamos a Deus que o acolha ao seu lado nesta nova caminhada que se inicia.
 
    Veja o belo texto da filha do Lulinha.

    É com muita dor que comunico a vocês que meu pai já não está mais fisicamente entre nós. Ele se foi às 19 horas deste domingo (27) com a certeza de que nunca um pai foi tão amado como ele.

    Uma fibrose pulmonar intersticial foi diagnosticada dois anos atrás. A saída era um transplante de pulmão. E ele se preparava para isso. Sei que a burocracia do sistema de saúde, misturada com uma certa má vontade de uns e o desdém de outros acabou tornando o processo mais lento do que ele pode suportar. Mas também sei que Deus sabe o que faz e não vou deixar que a revolta se instale no meu coração. “Que seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu”.

    Meu pai foi um guerreiro. Lutou muito contra a doença e mostrou força e uma fé fora do comum. Ele brigou para viver. E foi justamente a vontade de viver que ele sempre demonstrou que nos encheu de esperança por todos esses dias. Meu pai sempre foi um campeão. E até o fim nos deu muitos motivos para ter orgulho dele.

    Meu pai foi um atleta. O melhor em campo no jogo de inauguração do estádio Castelão. Ídolo de duas torcidas. Professor adorado. Uma cara geração saúde. Com uma alimentação perfeita, ele praticou exercícios (com prazer) todos os dias da vida, até quando a doença permitiu.

    Já perto do fim, meu pai, meu herói, não conseguia sair da cama para ir ao banheiro. Mudar a posição na cama, virar de lado, era um esforço que o deixava ofegante e o fazia perder o fôlego. Mesmo com a ajuda de oxigênio, utilizado 24 horas por dia.

    Foi com muito sofrimento que acompanhamos a evolução da doença. Mas a nossa esperança por dias melhores renascia a cada momento em que ele olhava, apontava o dedo para o alto, como se indicasse que Deus estava no comando, e dizia “essa vitória é nossa”. Ele lutou. Até o último minuto.

    Poucos suportariam as crises (próprias da doença) que ele enfrentou. E ele seguiu sem desistir. Até que precisou descansar.

    E posso garantir a vocês que ele não perdeu. Não. Essa doença maldita não venceu. “Essa vitória é nossa”, como ele dizia. Meu pai venceu todos os dias durante os últimos dois anos. E nós vamos honrar a sua vitória. Ele não está mais aqui, mas o seu exemplo e a sua força estão com a gente.

    Ele dizia que tinha orgulho da filha jornalista. Assim como tinha orgulho do Bruninho e do Peteleco, filhos admirados. Homens criados para ter o mesmo grande coração do pai. Somos, com orgulho, espelhos dele.

    E o que dizer do grande amor da vida de meu pai? A nossa Jujú foi a mulher mais apaixonada, a eterna namorada. Tudo que um homem pode esperar de uma mulher. Nunca vi meus pais discutindo e ele sempre dizia, fosse para um estranho no caixa do supermercado, ou para as enfermeiras e auxiliares da UTI, “essa bicha linda é o amor da minha vida”. E era mesmo. Na verdade, ainda é. Porque amor assim não acaba.

    Um dia todos nós vamos nos reencontrar. Segue em paz meu pai. A gente ainda vai ficar mais um tempo por aqui. Honrando a tua história e o teu nome.

    Te amo meu pai. Fui, sou e sempre serei a filha do Lulinha.

0 comentários:

Postar um comentário