quarta-feira, 24 de abril de 2013

:: A capital cearense, segundo Osvaldo

Fortaleza segundo Osvaldo

Seja em imagens no telão ou em pôsteres, o atacante Osvaldo já marcou presença, ao menos virtual, no revigorado Castelão, de Fortaleza, uma das sedes da Copa das Confederações da FIFA 2013 e da Copa do Mundo da FIFA 2014.

Mas, depois de receber sua primeira convocação para a Seleção, para os amistosos contra Itália e Rússia em março, o jogador ganhou um motivo extra para acreditar na realização de um sonho de comparecer ao estádio com a camisa Amarelinha – o estádio, por exemplo, vai receber um jogo do time de Felipão contra o México, no dia 19 de junho.

Participando ou não da festa como jogador, um dos destaques do São Paulo na temporada está cheio de dicas para os torcedores que já tenham uma visita à capital cearense nos planos -  e passou todas elas ao FIFA.com. Ao mesmo tempo, ele relembra seu início no futebol durante a infância na cidade litorânea e suas belas praias:

FIFA.com: A vida de jogador de futebol é muito agitada, com viagens para todos os lados. Você ainda consegue tempo para visitar Fortaleza? Qual relação mantém com a cidade hoje?
Osvaldo: Tenho minha família lá. Por parte de minha mãe, são todos de lá. Por parte do meu pai, alguns poucos estão aqui em São Paulo, mas a maioria também ainda está na cidade. Sempre que tenho folga ou férias, vou para lá mesmo. É uma cidade muito boa, e o povo cearense é muito receptivo, acolhedor. Esses jogos serão importantes para mostrar isso.

Costuma levar os companheiros de futebol para passar as férias por lá, então?
Já levei um amigo que jogou em Portugal comigo. O Jadson e o Ganso passaram há pouco tempo também. É legal que eles possam ir para lá e conhecer um pouco da cultura nordestina - a comida também, que é muito boa. Sempre que posso, levo algum amigo para mostrar um pouco da cidade e, claro, das praias, que são belíssimas.

São dois pontos importantes, aliás. Da riquíssima culinária nordestina, o que você já indicaria de cara para os turistas?
Tem o baião de dois (preparado basicamente com arroz e feijão), uma comida tradicional nordestina, muito boa. E têm também o cuscuz nordestino (feito com farinha de milho), de que particularmente gosto muito, e a tapioca (a pasta feita da fécula da mandioca). São três coisas que eu indicaria para quem ainda não teve o prazer de saborear e pedir nos restaurantes. São muito especiais.

Agora, e quais praias você sugere? Tem alguma preferida?
São muitas praias bonitas ao redor de Fortaleza. Uma que é muito boa é Jericoacoara, onde passei minha lua de mel. É uma praia que indicaria para muitas pessoas conhecerem, que tenho certeza de que vão gostar muito. Canoa Quebrada é outra, a que muitos artistas aqui do Brasil que vão e gostam muito.

Obviamente, Fortaleza é um centro turístico do Brasil. Que atrações valem a visita?
Hoje Fortaleza é uma cidade que vive muito pelo turismo mesmo e que está evoluindo bastante. Para isso, nada melhor do que ter jogos da Copa das Confederações por lá neste momento. Há várias casas com show de humor - por onde você passa tem uma, especialmente na praia de Iracema. E, nas praias, tem de curtir as dunas, né? Você pode andar de bugue e depois respirar aquele ar puro. Uma delícia.

Qual a influência que as praias tiveram na sua infância e que ainda exercem na cidade hoje?
Olha, aqui em São Paulo, por ser muito grande, acaba que a população vive sempre muito pelo trabalho. Em Fortaleza, e não só lá, mas em várias cidades do Nordeste, você consegue viver mais; tem mais qualidade de vida. Para mim foi importante crescer num ambiente desses. Chegando a São Paulo, a gente sabe que há muitas famílias em que os pais saem cedo para o serviço e só voltam na hora de dormir. Tenho parentes em que a casa funciona assim. Lá em Fortaleza você tem o prazer de respirar mais, e um ar mais limpo. É uma cidade belíssima, como diversas do Nordeste.

Você começou a jogar futebol na praia, na rua, em algum clube?
Eu comecei jogando na rua, mesmo, mas minha mãe não gostava muito disso, por causa dos carros. Aí o próximo passo foi jogar nas praças, porque lá têm várias com quadras poliesportivas. Aí mais tarde comecei a jogar futsal num clube que ficava na praia de Iracema, à beira-mar. Então, sempre que saía do treino mais cedo, dava para dar um mergulho.

Nesta época de garoto, crescendo como um torcedor de futebol em Fortaleza, qual era sua relação com o jogo? Tem alguma memória especial?
Quando muito novo, morava no mesmo bairro do estádio Presidente Vargas. Tinha um senhor que morava no andar de cima de casa e sempre pedia para minha mãe para me levar ao estádio, e ela deixava. Não me lembro do nome agora, porque era muito novo, mas ele era conhecido como “Tricolor”, porque ele só andava com a camisa do Fortaleza. Ele me levava nos jogos, e eu não pagava, porque era muito pequeno ainda. Naquela época, o Fortaleza tinha o (centroavante) Clodoaldo em grande forma, um craque de bola. Tenho muitas lembranças dele. Depois disso, passou tudo muito rapidamente, e eu já estava treinando com eles no clube.

Você já defendeu os dois principais clubes da cidade, aliás: o Ceará e o Fortaleza. Como foi passar por essa situação?
Muita gente me questionava no Ceará no começo, pois eu tive uma passagem muito boa pelo Fortaleza, até sendo revelado lá. Houve muitos atletas que não conseguiram jogar bem pelas duas as equipes. Mas foi um momento em que tive de arriscar todas as fichas. Estava praticamente há dois anos fora do mercado. Fui oferecido em alguns clubes, mas foi o Ceará que abriu essa porta para mim. Hoje tenho muitos amigos dos dois lados e fico muito feliz por isso. Ficou até mais difícil de andar por lá, por ter conseguido esse sucesso pelas duas equipes.

O Ceará, apesar de ser um estado populoso e com uma cultura de futebol e geral vasta, não teve muitos casos de jogadores fazendo carreira na Seleção. Você acabou de ser convocado pela primeira vez. Chegou o seu momento?
Tivemos oito ou nove cearenses que já jogaram pela Seleção, e o último foi o Dudu Cearense, que jogou sempre na base e também foi campeão da Copa América. Tivemos o Jardel também, e agora no momento estou podendo representar todo o estado do Ceará, que ficou bastante feliz com minha convocação. Espero ser lembrado mais vezes porque seria muito importante para mim. Desejo muito representar o Ceará e o Brasil num jogo da Copa das Confederações e, quem sabe, em 2014.

Seja pela Seleção ou pelo São Paulo, você deve ter a chance de jogar no renovado Castelão. Qual sua expectativa?
Seria um sonho ter minha família no estádio para me ver jogando pela Seleção Brasileira.Todo mundo fala que o estádio está muito lindo. O Ferruccio (Feitosa, Secretário Especial do governo cearense para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014) é meu amigo. No primeiro Clássico Rei, o Ceará x Fortaleza,  que teve no Castelão reformado, eles colocaram no telão imagens minhas tanto com a camisa de um como do outro, e em nenhum momento teve vaia. No túnel do estádio também tem um pôster bem grande com imagem minha, com as duas camisas. Isso é muito gratificante. Mostra que minha passagem pelas duas equipes foi muito positiva.

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