quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

:: Desorganização: Há 10 anos, Ceará fazia dois jogos num dia

Rafael Luis Azevedo – Verminosos por Futebol

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O técnico Dimas Filgueiras dividiu o elenco do Ceará para disputar dois jogos (Foto: Divulgação)

Há exatos 10 anos o Ceará vivia uma experiência insólita que ilustra bem o processo de evolução do clube de lá pra cá. E que indica também a organização do calendário do futebol brasileiro, que se não é perfeito, já foi muito pior. Em 21 de fevereiro de 2003, o Vovô disputou duas partidas no mesmo dia e horário. Vergonha em dobro: o time acabou derrotado em ambas por 2 a 0.

Aquele foi o primeiro ano da redução dos estaduais de oito para cinco meses. Como previsto, não foi possível acomodar adequadamente a maratona de rodadas em meio a outras competições como o Nordestão. Então o Ceará precisou dividir o elenco para enfrentar o Boa Viagem, no estádio Presidente Vargas, e o Fluminense-BA, em Feira de Santana, a 1.100 km de distância.

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Fichas técnicas dos dois jogos do dia 21/2/2003

Em cada jogo, o Ceará só contou com quatro atletas no banco de reservas. O time titular viajou à Bahia, ao lado do técnico interino Dimas Filgueiras. Os demais ficaram em Fortaleza, sob o comando do preparador físico José Maria Paiva. “A gente fez o que pôde”, relembra Dimas, hoje treinador das categorias de base.

Mas naquela fase de vacas magras, nem se estivesse junto o grupo faria tanta diferença. Os destaques eram jogadores que guardam pouca lembrança no torcedor, como os goleiros Magrão e Marcelo Silva, os zagueiros Alan e Sidney, os volantes Garrinchinha e Marcelo e os atacantes Fábio Jr e Reginaldo.

Não à toa, o Ceará terminou o Cearense na 5ª colocação, atrás de Maranguape e Limoeiro. E, no Nordestão, sofreu pra vencer o Corinthians-AL por 1 a 0 e acabou eliminado no 2º mata-mata, mesmo com a ausência de Bahia, Sport, Náutico, Santa Cruz e Fortaleza. “Não vivíamos uma fase boa”, constata Dimas Filgueiras, treinador do time em 40 ocasiões diferentes e em 504 jogos.

Diante da repercussão negativa, o Ceará anunciou um novo técnico na mesma noite. O “salvador da pátria” era… Celso Teixeira, o que também indica o horizonte limitado da diretoria da época. Com ele chegou um pacotão de reforços, que incluiu o atacante Régis Pitbull, único que vingou. “Ainda bem que esse tempo passou”, deve pensar o torcedor alvinegro. Ainda bem mesmo!

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