segunda-feira, 8 de outubro de 2012

:: Torcida do Ceará vira uma força em Brasília

Rafael Luis - http://www.verminososporfutebol.com.br - 08 outubro 2012

Nesta semana o Verminosos por Futebol aborda o cotidiano de duas legiões de torcedores de Ceará e Fortaleza fora do estado-natal: os alvinegros de Brasília e os tricolores de Boa Vista-RR.

Em entrevista, o procurador da Fazenda David Dias Albuquerque, cearense de 31 anos, há sete em Brasília, fala sobre a Embaixada do Vozão, da qual é diretor. Com 280 membros cadastrados, a torcida alvinegra local já chegou a superar Gama e Brasiliense em confrontos na Capital Federal.

Motivo que enche de orgulho os integrantes da torcida, que se tornou o primeiro consulado oficial do Ceará fora do estado. Só não peça ao David pra dizer que está com saudade de “Fortaleza”. Pra ele, é “Capital do Ceará”.

Verminosos por Futebol – Quando foi fundada a torcida?
David Dias – Em 9/11/2009, quando o Ceará veio jogar em Goiânia contra o Atlético-GO. Alguns alvinegros organizaram o aluguel de uma van através da comunidade do Ceará no Orkut, outros foram de carro, e, chegando ao Serra Dourada, constatamos que tinha muita gente de Brasília. Todos viam os jogos em pequenos grupos. E algo era comum: a dificuldade de convencer os donos dos bares a transmitir jogos do Vozão, em razão de em Brasília predominar o futebol carioca. Coletamos os e-mails de todos e unificamos a torcida do Ceará em Brasília num único bar. Um restaurante topou a ideia. De rejeitados nos bares, passamos a ser xodó, pois chegamos a colocar mais de 100 alvinegros.

VPF – Existem quantos integrantes?
David – Temos um grupo de e-mails com mais de 280 alvinegros residentes em Brasília cadastrados. Obviamente, nem todos vão sempre aos jogos. A média na Série B tem sido de 50 pessoas por jogo. Em alguns jogos em 2012, atingimos a marca de 100 embaixadores no bar.

VPF – Vocês se reúnem em todos os jogos com exibição pela TV?
David – Sim. No Alexandre’s Bar, situado na SCRLN 703, Bl. A, Asa Norte. É um bar de um cearense que recebeu muito bem a Embaixada e funciona como sede de todos nossos jogos, pois ele adquiriu o pacote da Série B por causa da fidelidade de nossa torcida.

VPF – Como fazem pra assistir a jogos sem transmissão nacional?
David – Em 2012, utilizamos um notebook ligado à TV do bar para acompanhar os jogos do Estadual e alguns da Copa do Brasil. Para 2013 já estamos pensando em outras possibilidades, caso as TVs por assinatura continuem desprezando o futebol cearense.

VPF – A torcida já esteve presente em algum jogo do clube na região?
David – Fretamos ônibus para todos os jogos no Distrito Federal e Goiás. Desde a fundação da Embaixada do Vozão, nunca deixamos de levar pelo menos um ônibus para acompanhar o Ceará. Inclusive, torcedores da Capital do Ceará já vêm a Brasília confiando na existência do nosso ônibus para transportá-los até o estádio. Também já estivemos presentes em jogos do Vozão no Rio de Janeiro, Uberlândia e Salvador.

VPF – Já houve algum jogo em que a torcida cearense fosse maioria ou rivalizasse com o time local?
David – Já, tivemos jogos contra Gama e Brasiliense em que a própria imprensa local mencionou tal fato.

VPF – Os torcedores que estão na cidade são cearenses ou filhos de cearenses que herdaram a paixão pelo time?
David – As duas coisas, a maior parte de nossa torcida é formada por cearenses, mas a presença da Embaixada está conseguindo fazer com que os filhos de cearenses também torçam pelo Vozão, pois estes acompanham os pais nos jogos e acabam se apaixonando. Com certeza, se a Embaixada não existisse, essas crianças iam acabar torcendo pra Flamengo ou Vasco, como a maioria dos brasilienses. Há também o caso dos casais, onde um é cearense e o outro não, mas ao frequentar a Embaixada para acompanhar o cônjuge, não tem jeito, acabam se tornando alvinegros.

VPF – Como é a saudade do PV e do Castelão para os torcedores cearenses que atualmente estão morando longe?
David – A reunião de cearenses nos nossos jogos serve para amenizar essa saudade, pois assistimos aos jogos como se estivéssemos nos estádios: gritamos, xingamos, cantamos os mesmos cânticos e o hino do time, enfim, a bagunça é grande. E quando o jogo é decisivo, pode ter certeza, sempre tem alguns que conseguem dar um jeito de comprar a passagem e se mandar pra Capital do Ceará.

VPF – Há encontros extra-jogo?
David – Organizamos outras atividades movimentando a torcida do Ceará em Brasília. Já fizemos campeonatos de futebol digital, temos o racha da Embaixada, churrascos, participamos com um grande número de embaixadores da Corrida Desafio das Torcidas, que ocorre anualmente, e até em bloco de pré-Carnaval já estivemos presentes, todos uniformizados com a camisa da Embaixada e bandeiras do Vozão.

VPF – A fama de vocês já chegou ao Ceará…
David – Nós fomos procurados pela empresa que administra o programa de sócios do Ceará para formar uma parceria e passamos a ser o 1º consulado oficial do clube fora do Estado. Estamos incentivando a criação de novos consulados alvinegros pelas capitais do país. Hoje, qualquer alvinegro que está de passagem por Brasília, seja a trabalho ou passeio, sempre dá um jeito de descobrir nosso endereço. Já fomos entrevistados por um jornal esportivo de São Paulo, os dois maiores jornais do Ceará, emissoras de TV de Brasília e pela revista 1914.

VPF – Tem alguma história curiosa que envolva a torcida organizada?
David – Podemos citar a nossa mudança de sede. Inicialmente, o primeiro restaurante que nos recebeu achou que era uma torcida pequena. Só que o nosso “modo de torcer” é bem diferente, pois a molecagem faz parte da nossa cultura, então qualquer escorregão do adversário provoca logo um grito de “Iiiieeeeiiii”. Quando nossa torcida cresceu demais, o barulho começou a incomodar, o que gerou reclamações dos vizinhos e até a interdição do bar. Então, os donos do estabelecimento nos fizeram uma proposta: ver o jogo em silêncio ou mudar de bar. Nem precisa falar qual foi a opção que escolhemos. Hoje, estamos sediados numa área comercial e torcendo do nosso jeito.

1 comentários:

Zurc disse...

Parabéns a todos os Embaixadores. Sempre que viajo a Brasília, e tem jogo do Vozão, assisto junto com a turma da Embaixada. É um orgulho ter vocês aí representando o Ceará SC. Valeu.

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