segunda-feira, 15 de agosto de 2011

:: Gomes Farias: "Meu sonho é ser presidente do Ceará!"

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    Em 13 de setembro de 2009, o jornal Diário do Nordeste, por meio do jornalista Fernando Maia, fez uma entrevista com o radialista e narrador esportivo Gomes Farias. Como alguns Embaixadores ainda não conhecem bem a história do locutor, vale a pena ler a matéria a seguir, em que ele conta, inclusive, que nunca torceu pelo time colorido da terceira divisão.   

    Veja a entrevista feita há dois anos:

    "GOMES FARIAS tem uma forma de narrar toda especial e é responsável pela criação de vários chavões consagrados no futebol brasileiro. Aos 72 anos, RAIMUNDO GOMES FARIAS, um dos maiores narradores de futebol do Brasil, já tem data para pendurar as chuteiras: após a Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Ele confessa que temeu morrer há sete anos, quando retirou um tumor do cérebro e conta como convive com a paixão pelo Ceará e as conseqüências dela junto à galera do maior rival, o Fortaleza. Apesar da idade, esse ipuense, que é advogado e deputado estadual no quarto mandato, chega a narrar dois jogos por dia, um para a platéia cearense e outro para o Rio de Janeiro, onde comanda, na Rádio Tamoio, a equipe esportiva.

   É verdade que você era torcedor do Fortaleza?
    - Claro que NÃO. Ser torcedor do Fortaleza não é demérito para ninguém, pois é um grande clube. Isso surgiu na época em que fui para a Rádio Uirapuru. O José Santana, grande comentarista, foi me apresentar e disse que todos na emissora eram tricolores, a começar do dono e que eu também teria que me identificar como tal.

    Essa identificação com o Ceará lhe rendeu algum tipo de dissabor?
    - Muitos, principalmente quando chega perto do final do Estadual. Já recebi inúmeras ameaças. Recebo ligações de madrugada dizendo que "amanhã não vou amanhecer com vida". Sempre defendi o Ceará sem jamais prejudicar o Fortaleza, a quem já ajudei através de campanhas.

   Quando começou sua trajetória no rádio?
    - Foi em 1958. Fiz um teste na Rádio Dragão do Mar para ser locutor esportivo e fui selecionado em meio a centenas de candidatos. De lá, passei pela Uirapuru, Assunção e Verdes Mares, onde estou há 39 anos.

   Você tem uma maneira bem dinâmica de narrar futebol. Como surgiu esse estilo?
    - Comecei ouvindo locutores do Rio de Janeiro e São Paulo. Para mim, o melhor de todos, sem dúvida alguma, era o Fiori Gigliotti. Ao contrário dos demais, que narravam o jogo parando, ele seguia de maneira linear, sempre subindo. Era uma forma de empolgar os ouvintes, sem dúvida alguma.

    E esses termos e expressões peculiares que você usa e que já estão consagradas?
    - Além de ser do sertão e conhecer o linguajar do homem do campo, gosto de assistir aos jogos na arquibancada, sempre que eu posso. É lá que você aprende muita coisa interessante. Certa vez, por exemplo, não podia falar no rádio por imposição da legislação eleitoral, já que era candidato. Estava no meio do povão quando um jogador chutou uma bola por cima, sem qualquer direção. Aí surgiu um grito que jamais esqueci. "Tu mata o goleiro seu filho da p...". Foi dessa forma que surgiram outras expressões como "era perigo", "tá na peia", "é ou não é" e "pelos aceiros (extremos) é melhor".

   E o que realmente significa "chuva nas coivaras"?
    - É quando o sujeito está com azar. No interior, o lavrador toca fogo no solo e sobra uns garranchos. Ele junta tudo numa coivara (monte) para atear fogo. Só que chove na hora. É muito azar mesmo.

   Você ainda sente aquele frisson antes de cobrir um jogo?
    - Durante muito tempo, tinha essa sensação. Hoje em dia, na verdade, encaro tudo com muita naturalidade e já não tenho esse tipo de emoção como antigamente.

   É verdade que o humorista Tom Cavalcante se baseou em você para criar o personagem João Canabrava?
    - Ele já disse isso várias vezes. O Tom começou conosco aqui na Verdes Mares. Tínhamos a tarde esportiva nos domingos. Ele ligava para participar e brincava com alguns personagens, como o seu Venâncio, o seu Bartolomeu e o João Canabrava, que falava narrando. Segundo ele, era uma forma de me homenagear por ser o locutor mais rápido do Brasil.

    De certa forma, essa história lhe rendeu algum fruto?
    - Foi há quase dez anos. A Rede Bandeirantes me fez um convite para trabalhar na TV. Um dirigente veio aqui em Fortaleza, mas acabamos não acertando. Preferi não sair do Ceará.

   Quando você vai pendurar as chuteiras como narrador e também como político?
    - Guardo na minha cabeceira milhares de transmissão em fitas magnéticas, de 15, 20 anos atrás. Comparo com as últimas narrações e não vejo diferença nenhuma. Quando isso ocorrer, aí,sim, está na hora de parar. Por enquanto, não. Tem dia que narro dois jogos, um para Fortaleza e outro para o Rio de Janeiro. Mas, de qualquer forma, 2014, quando teremos a Copa no Brasil, será meu último ano como narrador, se Deus quiser. Sou candidato à reeleição. Acho também que será minha última postulação. Isso depende muito do grupo que me apoia.

    Já definiu o seu sucessor?
    - Nas narrações, será o Bosco Farias. É um sobrinho muito querido, criado pela minha mãe, mas que é como um filho para mim. Na política, isso só será definido no momento oportuno.

    Quem foi o seu maior parceiro e ídolo?
    - Sem dúvida, o Paulino Rocha, Foi o maior comentarista do Brasil em todos os tempos. Ele era companheiro, ídolo e um irmão. Os quatro meses que antecederam sua morte foram muitos sofridos para mim.

    Como você superou um grave problema de saúde?
    - Há sete anos, após um check-up, fiquei sabendo que tinha um tumor cerebral. Tive que retirá-lo, pois poderia perder a visão. Foram três meses de sofrimento. O doutor Mairton Lucena fez a cirurgia com êxito. Confesso que pensei que morreria naquela momento.

    Você ainda pensa em ser presidente do Ceará?
    - Sim. Esse é o sonho de quem torce por qualquer time. O presidente do Ceará é mais conhecido do que governador.

FERNANDO MAIA - REPÓRTER
Jornal Diário do Nordeste
Fortaleza, 13 de Setembro de 2009

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